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ANDRE LUIS ALVES DE MELO
Oh, vida de "concurseiro"
além de tudo, ainda ......
DICAS E REFLEXÕES
Prezado leitor, este livro não tem como objetivo
ensiná-lo a decorar perguntas e respostas mais comuns em concursos,
tem como meta passar algumas experiências vividas pessoalmente
nesta difícil jornada que é a aprovação em um concurso jurídico,
e constatar que algumas questões estão além do mero ato de
estudar. Serão sempre mensagens breves e objetivas que talvez
possam lhe ajudar a encontrar um pouco de si mesmo e ver que
o grande concurso é aprovação na vida.
Trata-se de um trabalho pequeno, até para
que possa dedicar mais aos livros para concurso, mas sem esquecer
do aspecto físico, psico e espiritual que envolve a preparação
para um concurso. Para ler nos intervalos de estudo.
Lembre-se: Jurista não é quem
se preocupa com condições da ação, e sim, quem se preocupa
com as condições da nação.
Dedicatória
Dedico este trabalho a todas as pessoas que
acreditam em Deus e agem em seu nome.
Indice
- Ensinamentos de Chuan Tzu, há três mil
anos
- Um pensamento
- Experiência pessoal
- Da decisão de começar a estudar:
- Antes de começar os estudos:
- Início dos estudos:
- A família:
- Dos amigos
- Da companheira ou companheiro
- Da sensação de estar ficando louco
- Da matéria a ser estudada
- Do concurso
- Das provas
- Da prova objetiva:
- Da prova dissertativa
- Da prova oral
- Da prova de investigação social
- Da prova de títulos
- Do bom profissional
- Da prova de tribuna:
- Do teste psicológico
- Do cansaço:
- Da reprovação
- Da organização do concurso
- Dos candidatos
- O tempo ideal
- Dos cursinhos
- Da instituição jurídica
- Da aprovação
- Do salário:
- Do recomeço
- Da administração
- Dificuldade na aprovação
- Dos livros
- Modernidade
- Do formalismo
- Liberdade
- Justiça preventiva
- Perseverança
- Saber pessoal
- Reflexões de um concursando
- Curiosidades Jurídicas
- Da sensação de que não sabe nada
- Das avaliações
- Oração do concursando
- Da modernização da forma de trabalho
- Do abstrato
- Instruções para toda a vida
- The invitation
- Mensagem final
Ensinamentos
de Chuan Tzu, há três mil anos
Fé: Antes de entrar em uma
batalha é preciso acreditar no motivo da luta.
O Companheiro: escolha
seus aliados e aprenda a lutar acompanhado, porque ninguém
vence uma guerra sozinho.
O tempo: uma luta no
inverno é diferente de uma luta no verão; um bom guerreiro
presta atenção ao momento certo de entrar no combate.
O espaço: não se luta
num desfiladeiro da mesma maneira que numa planície. Considere
o que existe a sua volta, e a melhor maneira de mover-se.
A estratégia: o melhor
guerreiro é aquele que planeja seu combate.
Um Pensamento
Advogado, Juiz e Promotor escravos da lei
devem trabalhar de graça, pois escravo não recebe salário.
Advogado, Juiz e Promotor
cumpridores da lei também devem trabalhar de graça, pois muitos
cumprem a lei sem serem remunerados por isto.
Advogado, Juiz e Promotor defensores da Justiça
devem ser bem remunerados, pois para isto exige muito estudo,
maturidade e reflexão sobre valores coexistentes.
Procure também sempre praticar alguma boa
ação, pois fazer justiça não é apenas ficar condenando as
pessoas, fazer justiça é muito mais amplo. Apenas condenar
é mera vaidade pessoal.
Afinal, aplicar a lei é fácil, difícil é fazer
justiça.
Experiência
pessoal
Foram aproximadamente dois anos de estudo
somente para o concurso do Ministério Público, e nove reprovações
na segunda fase, e uma reprovação na primeira fase. Apesar
de já ter estudado anteriormente alguns meses para o concurso
da Defensoria.
Dificuldades muitas, pois tinha dois empregos
(Defensor Público em uma cidade e professor universitário
em outra), mas na hora que estava desistindo, conversei com
Deus e disse que seria a minha última tentativa, era o meu
sonho, mas estava tornando um pesadelo, e então, aceitaria
a vontade Dele de seguir outra carreira.
Posso dizer que foi o concurso que menos estudei,
e cujas provas achei que fui mal, a aprovação foi tão natural
que há momentos que chego a duvidar que antes era tão difícil,
mas acho que era realmente.
Mas hoje sei que não estava preparado espiritual
e emocionalmente para assumir o cargo, antes da vontade Dele.
Não que esteja plenamente preparado hoje, pois o nosso aperfeiçoamento
espiritual, emocional e material deve ser permanente, mas
acredito que me faltava até a base para esta consciência naquela
época.
Da decisão
de começar a estudar
Esta é a decisão mais difícil, sempre adiada,
e muitas vezes, quando tomada, não passa do primeiro mês de
estudo. Porém, vencer o obstáculo dos três primeiros meses
é um grande marco, para ajudar a fazer isto, pode ser estudo
em companhia de um outro colega (estudo em grupos é bom apenas
esporadicamente), ou frequentar um cursinho para orientar
o interessado sobre os caminhos a serem seguidos. Uma outra
dica é evitar começar pelos livros clássicos, pois são meio
cansativos, o ideal é iniciar por resumos e apostilas, os
quais trazem uma compilação de vários conceitos e dão uma
idéia do aspecto geral.
Antes de começar
os estudos:
Selecione o material de estudo, converse com
quem já fez provas e peça indicação sobre meios de aprendizado.
Para não ficar perdido, escolha uma carreira
e siga o programa do edital para estudar de acordo com o mesmo,
mantenha a ordem de matéria prevista no mesmo e faça uma prévia
de cronograma de estudo, não mude a mesma, vá do início ao
fim. Depois de uns seis meses, você já poderá caminhar sozinho.
É como andar, difícil aprender, mas após esta fase, até correr
fica fácil, basta treinar.
Início dos
estudos:
É necessário estudar pelo menos duas horas
diárias, o ideal é mais de seis horas por dia, depende do
grau de dificuldade do concurso, atualmente o concurso que
tem exigido mais tempo de estudo é o do Ministério Público.
Escolha o horário que você produza mais intelectualmente,
com menos sono. Faça do seu trabalho um modo de aprendizado,
sempre procurando associar as suas ações com o Direito, assim
fica mais fácil de aprender, pois une a prática com a teoria.
É menos monótono.
Comece com duas horas e aumente o horário
de estudo gradativamente.
É importante o estudo diário, recomendando-se
folga no máximo aos domingos. No início, procure questões
concretas para prender a sua atenção, com o tempo poderá passar
para a fase de criação de idéias (abstrato), provavelmente,
gastará uns dois anos de estudo para chegar nesta fase.
Alguns preferem mudar a matéria de estudo
durante o mesmo dia, dividem o tempo de estudo, acho complicado
este meio. Particularmente, escolhia um edital e dividia o
programa por dia e o seguia até o fim, cumprindo o cronograma,
ou lia um livro do início ao fim, repetindo-o algum tempo
depois. Mas como sempre marcava a lápis os tópicos principais
a leitura seguinte era mais rápida, mas sempre lia além das
marcações para ver se havia deixado alguma coisa importante.
A
Família:
Se você é do sexo feminino provavelmente terá
vantagens, pois a cobrança social e familiar para a mulher
entrar no mercado de trabalho é menor; mas existe, exceto
se for casada, onde poderá ocorrer dificuldades em face da
relação familiar. Porém se o candidato for do sexo masculino
precisará de muita força de vontade e apoio para não desistir,
muitas vezes a família com o intuito de proteger o candidato
tenta apresentar alternativas menos complexas: como trabalhar,
em lugar de apenas estudar ( como se estudar fosse uma atividade
menos relevante) e isto acaba trazendo um grau de ansiedade
muito grande ao candidato, a única forma de fazê-los compreender
é mostrar o resultado obtido por alguns colegas ( de preferência
os que demoraram mais tempo para obter aprovação), pois o
mero diálogo pode acabar em discussão e mais abalo psicológico.
Dos
Amigos
Os amigos antigos e anteriores à decisão de
estudar ficarão um pouco afastados do seu convívio, mas sempre
tentarão levá-lo a algum passeio ou festa (quase que irresistível),
cabe ao leitor avaliar se aceita ou não, é claro que é não
é recomendável tornar-se um eremita urbano, mas uma noite
mal dormida ( uma noitada) implicará em queda no rendimento
intelectual pelo menos por uma semana. Se for o caso de ir,
modere na alimentação, bebida e volte cedo. Concurseiro não
tem muita diferença entre dias de semana e finais de semana.
Não se afaste dos seus amigos antigos, mas procure estabelecer
laços de amizade com mais concurseiros, pois estão com o mesmo
objetivo seu.
Da companheira
ou companheiro
Refere-se a qualquer relacionamento amoroso.
Conflitos serão normais nesta fase, difícil alguém que não
passou pelo estudo para um concurso na área jurídica compreender
a dedicação, mas a melhor fórmula é o diálogo, porém evite
fazer promessas nesta fase, principalmente se você for do
sexo masculino, as mulheres acreditam que a recompensa por
estar ao seu lado será um "convite" para casamento.
Evite também fazer esta promessa de enlace no primeiro ano
após a aprovação, ainda que seja para um tempo distante; aguarde
o prazo de um ano e prazo e assuma um compromisso no dia seguinte,
se for o caso. Psicologicamente faz uma diferença grande.
Este é um tempo seu, apesar de todo o apoio que recebeu, a
vitória foi sua, ninguém fez a prova para você. Se existir
amor sobreviverá a este período de um ano, repita-se, sem
assumir compromisso para o futuro. Não adianta no primeiro
mês, dizer que casa daqui a um ano.
E ficar sozinho é uma opção pessoal, que deve
ser avaliada pelo candidato, em face de sua natureza psicológica.
Da sensação de estar
ficando louco:
Converse com as pessoas mais próximas, procure
pedir para que comentem sobre as mudanças no seu comportamento
que têm observado. Provavelmente é apenas impressão sua.
Mas pode ser que esteja ficando meio
estranho em razão do cansaço. Então distraia-se um pouco,
ligue para alguém, mude um pouco a sua rotina, mas sem parar
de estudar.
Faça exercícios físicos e fortaleça seu organismo
com boa alimentação.
Da matéria
a ser estudada
Evite fazer todo concurso
que aparecer na frente, apenas por que tem a palavra Direito
no meio, é preciso selecionar, afinal as reprovações costumam
trazer um sentimento de incapacidade, quase sempre irreal,
mas que pode prejudicar o candidato. Há concursos que possuem
afinidade como juiz e promotor estadual, mas na esfera federal
já muda bastante. A função do juiz de trabalho, pouco tem
a ver com o de procurador de INSS ou juiz estadual. Observe
a sua vocação e facilidade de aprendizado, e selecione o material
mais didático, nem sempre coincide com o mais erudito.
Do concurso:
Infelizmente o concurso jurídico atualmente
tornou-se em uma grande loteria, onde se presume a qualidade
porque acertou a data que se repassa determinada verba, ou
o prazo de um recurso que o profissional irá precisar saber
apenas quando atuar em algum tribunal. MAs como os examinadores,
em regra, trabalham na capital acham que os futuros colegas
devem saber isto, e também não permitem que os colegas que
atuam no primeiro grau participem da banca. Contudo, em um
processo de seleção profissional e científico a prova de poucas
horas deve ser apenas para confirmar o conhecimento do candidato,
e não para medir o todo o seu conhecimento e a sua capacidade.
Ninguém convocaria um jogador de futebol para a seleção brasileira
apenas porque jogou uma ou duas partidas de forma excepcional.
Infelizmente o critério para escolha de atendente no McDonalds
é mais científico que o processo atual para escolha de juristas.
Das Provas
De um modo geral, considerando que sempre
há exceções, pode-se concluir o seguinte em face de estudos
psicológicos:
Nas provas objetivas os homens têm mais facilidade
em face do seu raciocínio mais objetivo.
Mas na prova dissertativa as mulheres levam
vantagem, pois redigem melhor, possuem letras mais bonitas
e expõe de forma mais agradável.
Na prova oral, os homens costumam obter melhores
resultados, porém é bom ressaltar que como as bancas são compostas
em regra por pessoas do sexo masculino, um fator que irá destacar
a candidata será a apresentação, homens costumam se renderem
a uma mulher bonita. Contudo, se tiver uma mulher na banca,
a candidata deverá não se projetar muito fisicamente pois
mulheres costumam concorrer em beleza, e se a examinadora
se sentir ameaçada, poderá usar o seu poder de forma negativa.
Entre homens não este problema, pois não competem em beleza,
e sim, em poder. Como o candidato é notoriamente mais fraco
que o examinador não haverá muitos percalços, salvo se desafiar
a autoridade do examinador, cujo resultado será nefasto com
o candidato, ainda que acredite saber quase tudo.
Da prova objetiva:
Mede apenas memória, não avalia nem a inteligência
intelectual. Leia muito e faça cursos de memorização. Quando
prestávamos concurso normalmente passávamos nesta prova, chega
a um ponto que as questões começam a repetir em concursos
diferentes, portanto, quanto mais concursos semelhantes fizer,
melhor será. Na dúvida, sempre marcava letra C ou D, exceto
se o critério do edital estipulasse perda de pontos em caso
de marcar questão errada. Não é conveniente mudar a primeira
resposta marcada, salvo se tiver plena certeza de que a outra
está correta, pois a primeira resposta é oriunda do subconsciente,
onde estão armazenadas muitas informações de estudo, que esquecemos
no aspecto consciente.
Da prova dissertativa
Normalmente a banca examinadora é composta
por pessoas que conviveram com um Direito mais clássico e
erudito, então não convém o candidato ser objetivo e moderno,
seja bem prolixo, mas com idéias lógicas e completas. Adote
autores que agradem ao examinador (consulte as preferências
com quem conheça o examinador), jamais responda de forma a
contrariar o entendimento do mesmo, mas não seja artificial,
procure naturalmente adequar o seu posicionamento ao do examinador
Capriche na letra, evite rasuras e coloque
as idéias em ordem lógica.
Use o bom senso nas respostas se estiver em
dúvida. Não deixe questão em branco nesta prova.
Faça cada resposta como se fosse uma redação,
utilize introdução, desenvolvimento e conclusào. Não "jogue"
a resposta, fica ruim para quem lê e a nota é reduzida. Escreva
frases bonitas, no Direito ainda tem muita gente da geração
clássica, do Direito como arte, e não como meio de solução
de problemas.
Da prova oral
Apresentação é muito importante na prova oral
(ternos escuros: azul ou preto para homens e vestidos ou saias
discretas para mulheres), e não desafie o examinador. A foto
juntada no ato de inscrição deve ser indubitavelmente o retrato
de um jurista no exercício da função, portanto, muito cuidado
com a escolha da mesma.
A sensualidade feminina é ponto importante
neste momento, mas sem exageros, afinal não está indo a uma
festa.
Sorria sempre e seja simpático.
Se não souber a resposta de imediato, comece
fazendo oralmente um breve esboço de algo que acredite estar
relacionado com a pergunta, e assim a resposta poderá aparecer
naturalmente; evite o silêncio, isto pode causar pânico e
os chamados "brancos na memória."
Se não lembrar nada, seja simpático e diga
ao examinador que esta não é a sua especialidade, mas que
sabe tudo sobre um determinado outro assunto, algumas vezes
poderá ser que substitua a pergunta.
Se alguém for amigo íntimo do examinador poderá
sutilmente comentar sobre o seu desempenho, isto pode ser
relevante. Infelizmente nesta prova não há regras, mas deveria
ser regulado em lei federal.
Da prova de
investigação social
Nesta prova será investigado
o comportamento social do candidato, para verificar a sua
aptidão social para as responsabilidades do cargo. Normalmente,
não saem investigando, apenas publicam os nomes e algumas
vezes as informações aparecem, outras permanecem ocultas.
Portanto, nunca se esqueça que o que você tem mais de valor
é o seu nome; e nem tudo que se deseja fazer, pode ser feito.
O risco é pessoal.
Mas, ao escolher as autoridades que prestarão
informações indique aquelas que realmente prestarão informações
positivas, de preferência de uma a duas páginas, evite as
que possivelmente apenas informaram que desconhecem fatos
negativos.
Da prova de
títulos
Junto com a sua pasta de inscrição definitiva
deverá acrescentar os seus títulos. Lembre-se que a sua pasta
estará passando pela banca examinadora antes da prova oral,
e não apenas na prova de títulos, portanto, muito zelo com
o seu "book profissional".
Coloque os seus títulos com índice na primeira
página, não informe apenas os cargos que ocupou, mas diga
também as idéias que teve, se implantou algo inovador, se
participou de algum recurso importante, se prolatou uma sentença
inovadora, ou ajuizou uma ação civil pública interessante,
e qualquer atividade que julgar importante. Apenas ocupar
cargos, não significa bom profissional.
Faça uma pasta discreta com o material interno
protegido por plásticos e crie uma contra-capa para cada item
constando a página no índice.
Do bom profissional
Não confunda bom profissional ou candidato,
com profissional bonzinho, o segundo costuma ser omisso no
exercício da função, o que deveria ser uma falta grave, mas
juridicamente temos dificuldade de avaliar a omissão, mas
omitir é pior do que agir errado, principalmente quando se
tem o poder para agir.
Da prova de
tribuna:
Faça a prova sem exageros, seja natural e
discreto, pois não é palco para heróis, fale sobre o tema
com serenidade e tranquilidade. Para isto treine os textos
com alguém, vá ao local da apresentação e treine novamente,
dialogue com as pessoas que trabalham lá, transforme aquele
local estranho em seu habitat natural, converse com quem já
fez a mesma prova. Terminada a avaliação, retire-se do local,
evite contatos e conjecturas sobre o desempenho, isto traz
apenas desgaste.
Do teste psicológico
Seja você mesmo, demonstre
confiança e amadurecimento. Evite mentir nos testes, pois
as respostas costumam ser confrontadas com outras e pode-se
chegar a conclusão de que mentiu e é dissimulado. Apenas mantenha
a calma.
Não se iluda quando o edital informar que
o teste não é eliminatório, pois é sempre antes de outras
provas, e certamente influenciará a banca.
É comum confundir agressividade com gerenciamento,
mas quanto mais agressiva e autoritária a pessoa maior a sua
insegurança, a qual tenta disfarçar através do medo imposto
às demais pessoas.
Os psicólogos já sabem que o candidato irá
"dourar" a sua imagem, por isto mais te observarão
do que ouvirão suas palavras.
Do cansaço:
O cansaço começará a partir do terceiro mês
e agravará com a chegada do sexto mês. E uma pergunta começará
surgir no sentido de indagar se vale pena. Mas, acostuma-se
com o cansaço, e tudo passa a ser rotina.
Também depende do objetivo, alguns querem
apenas um emprego, para estes existem algumas carreiras jurídicas
que exigem menos confronto político e stress. O que o sistema
de concurso deveria impedir que alguém que almeja apenas um
emprego ocupe cargos jurídicos com atividade política, mas
não o faz, presume-se que pelo fato de saber algumas teorias
e princípios está apto a atuar nos destinos do país.
Imagine que a preparação para o concurso é
uma maratona, portanto, não adianta sair disparado nos primeiros
dias.
Reprovação
A reprovação faz parte do aprendizado, há
um momento certo para a aprovação, ainda que você imagine
que sabe tudo, a profissão não é apenas conhecimento jurídico,
exige amadurecimento e experiência, por isto não desanime.
Muitos colegas poderão ser aprovados antes de você, não significa
que são melhores e nem necessariamente que são mais abençoados
por Deus, talvez estavam preparados espiritualmente. Ou se
não estavam preparados, também é necessário comentar que o
Mal também tem seu exército de profissionais, e local melhor
para ele atuar não há que no sistema jurídico.
Da forma do
concurso
Você não é inferior ao examinador, talvez
seja até bem melhor do que ele, o fato de um jurista estar
no alto escalão não significa conhecimento jurídico nem combatividade.
Aliás, você já viu algum jurista famoso que ajuizou uma grande
ação relevante contra o Estado ou a favor da sociedade ? Provavelmente
pouquíssimos casos. Curioso é que nos concursos para juiz
e promotor em lugar de os profissionais que ocupam estes cargos
de primeira instância comporem a banca, em quase todos os
estados da federação são apenas Desembargadores e Procuradores
que compõe a mesma. Tudo é uma questão de controle, pois o
trabalho é diferente do que é feito na 1ª instância e com
a rapidez que atualmente se muda a cultura jurídica, o trabalho
importante que realizaram quando estavam no interior, já está
sendo feito de outra forma aperfeiçoada. Acredito que a sociedade
e a classe política deve acompanhar mais de perto estes concursos,
principalmente internamente, e criar regras objetivas para
evitar o controle por pequenos grupos.
Dos critérios
de avaliação
Apesar de ter sido aprovado em primeiro lugar,
não vejo mérito algum, foi uma questão de sorte, pois neste
sistema amador de avaliação, presume-se que quem decorou bem
direitinho os princípios e conceitos está apto a participar
dos destinos do país.
Você já parou para pensar em quem inventou
estes supostos princípios jurídicos que nem estão respaldados
na lei ? Se realmente foram inventados para servir à sociedade
ou para atender a uma pessoa especial ? Onde está escrito
que não pode ocorrer interpretação analógica extensiva para
o Direito Penal ? A lei preceitua que tem que estar previsto
em lei apenas, mas não proíbe a analogia. Os princípios jurídicos
são imutáveis ? Por que o legislador não referenda alguns
princípios jurídicos ?
Imagino que um concurso atualmente seja além
de um fonte rentável para a classe jurídica, uma forma de
medir a "robotização" que se exige dos candidatos.
Infelizmente, na classe jurídica atualmente querem que apenas
copiemos idéias dos juristas e criemos muito pouco.
Dos candidatos
É comum chegar aos jornais que o nível dos
candidatos é ruim, por isto a reprovação é maciça. Eu acredito
que há candidatos ruins, mas a deficiência está na banca examinadora,
que é escolhida sem motivação expressa, e que algumas vezes
consegue a façanha de errar a própria questão que elaborou.
Outros dizem que os juristas renomados não
fazem o concurso por causa do salário baixo, acho que é ledo
engano pensar assim, acredito que o que os afasta é o nível
amador do critério de avaliação. Um jurista renomado não irá
ficar preocupado em decorar os prazos que estão na lei, pois
estão no seu notebook; ou estudar decisões do STF, pois ele
tem suas próprias decisões e além disto conhece o direito
internacional. Somente nós pobres mortais é que nos submeteremos
aos certames. Você já parou para pensar porque os renomados
não fazem concurso ? Não deve ser salário, pois com cinco
anos de atividade jurídica podem se aposentar com salário
integral caso completem o prazo exigido na lei, aproximadamente
de trinta anos de serviço.
O tempo ideal
Não há um tempo ideal, porém o mais comum
é que se gaste pelo menos dois anos de estudo para ser aprovado
em concurso jurídico.
Alguns passam logo que se formaram, provavelmente
é porque começaram a estudar antes de ser formarem. Talvez
seja bom, mas talvez "queimaram" algumas etapas
da vida.
Dos cursinhos
Apesar de acreditar que o sistema não deveria
ser assim, devo admitir a importância dos cursinhos jurídicos
para a aprovação, acredito que se tivesse frequentado algum
a minha aprovação teria sido mais rápida.
Mas o cursinho é o atestado da falência do
ensino jurídico e da deficiência do método adotado para os
concursos, imagine se você teria segurança com um médico que
acertou com um X como é que se faz uma operação. Na verdade,
a prova de concurso é válida se for associada com uma exigência
mínima de títulos e um curso de formação antes de assumir
o cargo, pois assim o conjunto destas provas permite uma avaliação
mais completa do candidato, como a aptidão.
Porém, como a classe jurídica lucra com a
montagem de cursinhos, pois são donos e professores neste
tipo de estabelecimento, não há muito interesse em mudar o
sistema. Inclusive até porque quem decora apostilas é mais
fácil de ser controlado do que quem aprofunda na cultura jurídica.
E a própria taxa de concurso tornou-se fonte de renda.
Da instituição
jurídica
Se estiver realmente disposto a ser aprovado
em algum concurso jurídico, você certamente será, talvez não
cargo que deseja, ou no estado de preferência, ou no tempo
almejado. Então além de apenas obter informação sobre o mundo
jurídico, procure-se formar-se também como ser humano, e ser
capaz de emitir uma opinião própria. Afinal quando aprovado,
em breve, você terá que optar em que lado estará, se dos que
desejam mudanças ou dos que se acomodaram e se renderam às
benesses de um sistema que os beneficia, qualquer mudança
espiritual de massa passa pelo sistema jurídico, o mesmo acredito
representar a justiça divina na Terra, por isto é preciso
mostrar quem é quem, assim sendo, aquele conceito corporativista
que se confunde com ética de não se dividir o bom do mau profissional,
irá acabar. O mal nunca se apresenta como tal, sempre se reveste
da manta da bondade. Este grupo que deseja mudanças ainda
é minoria, mas cresce vertiginosamente, está limpando para
fora do sistema jurídico, mas agora está concluindo que precisa
arrumar a casa por dentro também.
Da aprovação
Se foi aprovado, meus parabéns !!! Mas a jornada
está apenas começando, Direito é luta, uma luta intelectual,
prepare-se para fazer alguma coisa para a sociedade ou simplesmente
acomodar. Isto não significa que deve buscar sempre litigar,
quando o inimigo é forte, ninguém ousa enfrentá-lo. Seu nome
e sua forma de trabalho será comentada, e apenas a sua austeridade
poderá evitar muita injustiça, apenas pela sua presença, sem
fazer nada de concreto. Muitos problemas ocorrem, por falta
de autoridade pelo responsável, todos respeitam quando conhecem
a firmeza do policial, e o contrário, também é verdade. Não
adianta atuar sem resultados, vejo alguns juristas satisfazerem
com a sentença de condenação, mas sem se preocuparem em evitar
o crime ou em efetivar o cumprimento da pena. Agem como se
estivessem em um jogo de vídeo-game e o Direito fosse uma
grande brincadeira, mas o jogo é real, e um ato omisso da
autoridade poderá repercutir por muito tempo. Corrupto não
é apenas quem recebe dinheiro, é também aquele que se omite
em face de um aumento de salário, ou de uma promoção, ou omitem
por preguiça, estes últimos têm corpo e a alma corrompidos.
Do salário:
O salário é razoável, considerando que é um
país pobre, está até bom, apesar de muitos reclamarem do valor,
poucos pedem demissão e os concursos batem recordes de candidatos,
portanto, a questão não é baixo salário.
O problema é a estrutura interna do sistema
jurídico, onde permite que muita gente ganhe altos salários
para realizarem funções de pouca complexidade jurídica, portanto,
é necessário que se restrinja os cargos jurídicos com poder
de decisão e aumente os cargos jurídicos de desenvolvimento
de idéias (assessoria) com delegação de tarefas, assim haveria
uma adequação à realidade funcional, audiências de conciliação,
relatórios, pesquisa de jurisprudência, confecção de peças
simples, tudo isto pode ser delegado e apenas revisado e assinado
pelo profissional com poder de decisão. Assim ocorreria até
uma distribuição de renda, pois haveria mais cargos e menor
concentração de poder aquisitivo.
Do recomeço
Se não ocorreu a aprovação desta vez não pode
desiludir, não há um limite de reprovações, considere tudo
como aprendizado.
Recomeçar o estudo é difícil, espere pelo
menos uma semana (não mais que isto). Comece a ler o material
novamente, os seus resumos e busque material novo, para não
ficar monótono.
Procure elevar a sua auto-estima, aproxime-se
de pessoas que enalteçam o seu ego.
Recomeçar é difícil na primeira semana, depois
passa. Não se esqueça de reler todos os livros e resumos que
fez (tem que fazer resumo).
Da administração
Na área jurídica prega-se a democracia externa,
mas internamente há uma ditadura sem regras, isto é pior do
que o regime militar, pois na estrutura militar ao menos há
regras previamente estabelecidas. Na área jurídica há um excesso
de pessoas com poder de decisão sem estarem preparadas, pois
o mero conhecimento jurídico não lhes outorga esta capacidade,
é preciso que se crie níveis de distribuição das funções jurídicas
para dinamizar o trabalho, o Direito não pode mais ser um
trabalho artesanal, onde o profissional domina todas as fases
do trabalho, é preciso profissionalizar a forma de trabalhar,
inclusive com a utilização da informática e delegação de tarefas
jurídicas.
Aproveite para estudar, pois quando o Executivo
e o Legislativo descobrirem que o que falta no sistema jurídico
não é pessoal, e sim, técnica moderna de administração, poderá
ocorrer uma redução das vagas disponíveis. Mas a cúpula jurídica
insiste em pedir mais gente e maiores salários. As leis mudaram,
o que não mudou foi a estrutura interna do sistema jurídico
e a forma de pensar e agir de muitos juristas.
Dificuldade de aprovação
Não compare o
nível de dificuldade de aprovação atual com o de dez anos
atrás, até pelo número de concorrentes.
Não se sinta inferiorizado pelo sucesso de
alguém que foi aprovado até 1994, período que o concurso começou
a consolidar o interesse pelos acadêmicos. Não que naquela
época fosse fácil, mas não se compara com o nível de complexidade
atual.
Dos livros
Não compre um livro apenas pela data da edição,
verifique na bibliografia anexa ao trabalho, o ano dos livros
consultados para a confecção da obra. Se usou livros antigos,
as idéias são antigas apesar da edição ser nova.
Procure analisar o real saber do autor, no
Direito tem muita gente vivendo apenas do nome ou do sobrenome.
O papel aceita tudo, uma característica diferente da área
tecnológica. Um bom profissional de dez anos atrás pode estar
ultrapassado.
Veja se não é apenas um livro antigo (idéias
arcaicas) em uma capa nova. Em princípio, você não é historiador,
e sim, jurista, sua missão é fazer justiça. Se quiser ampliar
sua cultura, tudo bem, mas não pare no tempo, leia os livros
atuais também.
Infelizmente as bibliotecas das universidades
jurídicas parecem mais antiquários do que bibliotecas, possuem
apenas livros antigos e que não acompanharam a evolução social,
o ideal seria fixar um prazo de três ou cinco anos para que
renovassem periodicamente as obras sob pena de terem avaliações
negativas no Provão.
Modernidade
A modernidade no Direito está chegando,
mas em face do sistema hierárquico imutável do sistema jurídico
isto vai ocorrendo lentamente, pois um Desembargador e Procurador
será Desembargador e Procurador até se aposentar, independente
da sua atualização efetiva. O ideal seria que estes cargos
fossem ocupados de forma temporária, através de eleição
na carreira, isto permitiria uma oxigenação de idéias e
reduziria a possibilidade de ocorrer o controle por pequenos
grupos. Estes grupos controlam o concurso e as promoções,
como não há regras objetivas definidas em lei, principalmente
para o concurso, estes grupos podem quase tudo através de
atos administrativos internos.
Você sabe como é escolhido um examinador?
Eu não sei. Apenas sei que em Minas a lei permite que sejam
também promotores da capital, mas nunca permitiram a participação
dos mesmos, apenas de procuradores. Você sabe como são escolhidas
as questões? Informaram por escrito ? E o critério de correção
? Eu nunca soube e não sei ainda. E ainda há alguns concursos
que não informam o gabarito, outros a negam a classificação.
Acho que Democracia é uma palavra bonita para dizer, mas
difícil de fazer. É preciso um certame com regras objetivas
e pré-definidas em lei, para permitir a segurança por parte
do candidato.
Do Formalismo
O Direito afastou-se do conceito de Justiça
em busca de critérios científicos, mas equivocou o caminho
ao optar pelo rigor do direito processual, deveria ter decidido
pelo rigor do Justo, onde em lugar de se aplicar leis que
prejudicam toda a sociedade e beneficiam pequenos grupos
cujo conteúdo ferem a Constituição.
Mas agora, é hora de se preocupar menos
com a teoria do Direito, para se ocupar da prática de fazer
Justiça de verdade.
Liberdade
Em Direito o que mais há são dogmas, supostos
princípios que foram criados por alguém ( não sabe quem) e
nem quando, e que não estão respaldados em lei. Dizem que
é Direito Natural, e o que contradiz é Direito Alternativo,
este último é uma aberração jurídica. Na verdade, é natural
o que lhes interessa e alternativo o que não lhes interessa.
Achamos que não podemos adotar o direito alternativo atualmente,
mas podemos interpretar a lei de forma inteligente e participar
mais das elaborações das leis, ficando menos passivos.
Por exemplo, quando se fala em liberdade pensamos
logo no criminoso preso ( um raciocínio concreto), mas, e
o Direito de liberdade da cidadão comum ou da sociedade ?
(um raciocínio abstrato)
Este é o desafio do jurista moderno, saber
aquilatar o direito concreto face o direito abstrato. Além
disto identificar os "princípios naturais" que não
coadunam com a atualidade. É um ato de muita inteligência
e complexidade, onde não se pode ficar mais consumindo muito
tempo com ações como separações, divórcios, despejo, isto
é juridicamente simples, o que varia é o fato e as provas.
Os concursos deveriam ser mais completos,
e não realizados a "toque de caixa" como está sendo
feito a maioria dos certames. Deveriam medir e testar o raciocínio
e inteligência do candidato, e não a memória. Não pode mais
ser uma questão de sorte.
Justiça preventiva
Você já ouviu falar disto ? Já viu alguma
questão sobre este assunto ? Provavelmente não. Mas na área
médica este tópico é até objeto de disciplina acadêmica universitária.
Imagine se em lugar de apenas ficar processando
os políticos eleitos pelo povo, o juiz e o promotor reunissem,
através de convite, os candidatos eleitos e ministrassem uma
palestra, orientando os mesmos. Mostrando as mudanças estruturais
principalmente para a Câmara de Vereadores, destacando que
hoje eles recebem salários e possuem muito mais atribuições.
Sugerindo que os edis aumentassem o número de reuniões, que
fiscalizassem o Executivo ( e não assessorem apenas), e fosse
informado algumas leis básicas e mostrassem os motivos das
ações anteriores, para evitar novos problemas. Certamente,
seria muito mais produtivo, mas exige uma vocação mais para
a solução do que para poder. Veja quantas autoridades aparecem
em público para esclarecer e quantas aparecem para dizer:
eu prendo, eu processo, eu condeno, provavelmente no segundo
quadro haverá mais profissionais. É preciso mudar este comportamento
e atuar mais como orientadores.
Com a devida vênia, acho que juízes e promotores
têm que decidirem se são agentes políticos ou servidores políticos,
o que não pode ocorrer é ser agente político na hora de receber
salário e servidor público na hora de trabalhar. Agente político
é quem exerce a independência funcional para modificar a realidade
social, portanto não pode se restringir somente a processos.
Isto poderia ser aplicado em todos os ramos
jurídicos.
Perseverança
Encare cada reprovação como um aprendizado.
Não fique sentado, esperando que tudo chegará às suas mãos
facilmente.
Não sofra da síndrome do serviço público,
pois poderá acontecer que ela acabe, ou reduza bastante.
Sintomas desta síndrome:
1 ) Para que mudar ? Sempre foi feito assim
!! É uma tradição !!!
Combate: Mudar para melhorar, tudo pode ser
melhorado !!!
2)Para que consertar? Vai ficar remendado
!! É melhor esperar cair tudo !!
Combate: Consertar para conservar !! É o mínimo
que se pode fazer !!
3) Para que trabalhar mais ? Já trabalho tanto
!!
Combate: O importante não é trabalhar muito,
e sim, produzir muito. Produza sempre mais e o resultado virá
naturalmente.
Saber pessoal
Você está estudando muito, parece que sabe
tudo e a aprovação não vem. Pode ser que você saiba demais
para ser aprovado em concurso e o examinador discorde de suas
idéias. Você acha que algum dos expoentes jurídicos seriam
aprovados no concurso atual ? Provavelmente seriam reprovados.
O sistema de avaliação ainda é amador. Em Direito há uma dificuldade
enorme para modernizar, principalmente administrativamente.
Por exemplo, a Constituição diz assistência
jurídica, mas muitos ainda dizem assistência judiciária sempre,
sendo que o primeiro termo é mais amplo do que o segundo.
Outro fato, o termo é Promotor de Justiça,
mas até hoje ainda há profissionais do próprio Ministério
Público que falam "Promotor Público".
Se não atualizam os termos expressos da lei,
imaginem os conceitos e as idéias, por isto é preciso começar
a exigir cursos de recapacitação de todos. Pois mudam-se as
leis, mas não mudam os pensamentos. A culpa não é do legislativo.
Veja o Juizado Especial, tentam adequá-lo
ao Código de Processo, ou seja tentam submeter o novo ao velho,
em lugar de se fazer o contrário. Isto é o mesmo que negar
o uso do computador, porque não tem digitador, somente há
datilógrafos. É um equívoco.
Talvez você seja um futuro Freud na área jurídica,
o qual foi ridicularizado quando apresentou a sua tese em
Congresso. Tudo que é novo incomoda porque força a pensar
e mudar, muita gente que está na cúpula não consegue se manter
mais, passa a ser questionada, então evitam as mudanças.
Reflexões
de um concursando
Um concursando não pode ser apenas um decorador
de apostilas e resumos, tem que ser um sujeito pensante.
Assim, vamos refletir, se no ramo jurídico
realmente falta pessoal e o problema são as leis, ou há uma
má divisão do quadro administrativo, sem descentralização
e delegação de tarefas jurídicas.
O problema é que o Direito mudou a partir
de 1988, mas isto ainda não refletiu administrativamente no
comportamento da cúpula.
Algumas tarefas judiciais precisam ser repensadas
como o poder de polícia social do juiz que ocorre no eleitoral,
na infância e juventude, inquérito criminal e nos cartórios
notariais. Seria muito mais prudente, passar estas funções
para a esfera administrativa de outros órgãos e apenas em
caso de conflito seria dirimido em juízo através do processo.
O que não pode ocorrer é o juiz decidir judicialmente o seu
próprio ato administrativo. O que também tumultua o tribunal
em face dos recursos.
Exemplificando os notários passariam para
a esfera do Executivo estadual. O controle administrativo
da eleição passaria para o Ministério Público, pois não é
mais possível em um estado de Direito que o juiz inicie um
procedimento e julgue o mesmo. A fase de inquérito, ou a remessa
do mesmo, passaria para o Ministério Público, inclusive a
expedição dos mandados de busca e apreensão, pois na fase
de investigação não pode o juiz prejulgar. Esta confusão ocorreu
no processo penal pois ao adotarmos o código italiano, lá
tanto juiz e promotor são juízes, um de instrução e outro
de sentença mas na tradução ficou confuso. O mesmo se dá com
a infância e juventude pois o juiz afixa uma portaria de iniciativa
própria e depois vai julgar a regularidade da mesma, ou será
necessário um Mandado de Segurança no Tribunal.
Na verdade, confundimos jurídico com judicial,
e tudo é encaminhado para o Judiciário, muitas vezes sem necessidade.
Outro ponto importante é a
falta de informatização e utilização de Internet pelo meio
jurídico de forma efetiva, além de não ter interligação de
informações entre as Comarcas e também entre os órgãos jurídicos
públicos.
Curiosidades Jurídicas
O mundo jurídico possui algumas notoriedades
inexplicáveis, normalmente convida-se para ser Ministro da
Justiça um advogado criminalista renomado, justamente por
colocar bandidos na rua, então delegam ao mesmo a missão de
fazer um código penal e processo penal eficientes. Ou então,
colocam um advogado de renome para presidir uma comissão de
estudos, e estão sempre estudando. É preciso repensar esta
questão.
Aliás, em Direito quando não se quer resolver,
monta uma comissão. E se esta não funcionar, monta outra para
investigar. E se não funcionar também, criam um conflito entre
os membros, e a comissão é dissolvida, e uma nova é formada.
Assim iniciou tudo de novo.
Outra curiosidade, é que o Ministro do STF
tem que ter apenas notável jurídico, teoricamente, não precisa
ser formado em Direito. E o que notável saber jurídico ? A
lei não define. Você já procurou conhecer o currículo de algum
ministro do STF ? Alguns sempre foram conhecidos no mundo
jurídico, mas outros não.
O interessante é que da forma memorizadora
e metódica que os concursos estão sendo feitos, e a proliferação
de cursinhos para concursos jurídicos, é provável que em breve
questionem a necessidade de ser formado em Direito para prestar
o concurso, bastando ser aprovado no certame e estará provado
o conhecimento.
O ideal seria uma exigência mínima pontos
na prova de títulos cumulada com a aprovação na provas teóricas,
pois assim poderia avaliar o candidato em toda a sua vida
acadêmica e profissional, reduzindo a possibilidade de aprovação
de paraquedistas. Tal sistema já é adotado na magistratura
federal. A prova não precisaria ser tão massacrante, pois
já haveria uma pré-seleção. Para evitar desvio de finalidade
da prova de títulos poderia limitá-la a uma porcentagem da
prova inferior a 50% dos pontos distribuídos.
Ao Estudar
Procure estudar com uma visão crítica, sem
aceitar tudo como uma verdade, assim o estudo fica mais interessante
e mais fácil de gravar, pois não se está decorando, está formando
uma opinião.
Por exemplo, ao estudar o processo penal procure
comparar com o processo civil, verificar o que é inadmissível
que ainda exista. Por exemplo, o sistema jurídico deve permitir
o direito de defesa, mas não o abuso de defesa. Pois se quando
o réu defende-se dos fatos imputados está correto, mas quando
defende-se um código que permite abusos é inaceitável. Em
suma, quem defende dos fatos defende o criminoso, quem defende
com base no processo apenas, defende o crime. Não podemos
defender o crime, mas não podemos mais impedir o inquirição
do réu pelas partes, pois o princípio da ampla defesa neste
caso de prevalecer. Além disto, o CPP proíbe de interferir
nas perguntas e respostas, mas não de perguntar. Muitas vezes
o problema não é o legislador.
Portanto, ainda que você discorde ou concorde,
é importante discutir, ligue para algum colega e debata, provavelmente
não esquecerá mais.
É necessário revisar frequentemente os estudos,
ainda que de forma rápida, pois pode cair no esquecimento.
Da sensação
de que não sabe nada
Esta sensação
é muito comum, principalmente no começo (primeiros dois meses),
depois vem uma sensação de que sabe tudo (pode durar até quase
dois anos), e em seguida, vem novamente uma sensação de que
não se sabe realmente nada ou muito pouco, esta última atitude
é um ato consciente e significa que você já está compreendendo
a grandeza do universo jurídico. Por isto não desanime, está
chegando o momento certo, diariamente em toda a sua vida,
o Direito te mostrará coisas novas, nunca as olhe com a ótica
do antigo. Na verdade, você está intelectualmente preparado
quando chega na terceira fase, apesar de achar o contrário.
Do Provão:
Você pode até ser contra o provão, mas ele
está melhorando muito a educação na área jurídica. O ideal
talvez seria que fosse todos os anos do estudo, para que a
sala e a direção pudesse cobrar soluções no andamento do curso,
e também que fossem aplicadas provas aos professores para
verificarem se sabem realmente, ou se apenas impõem as suas
idéias.
O provão permite identificar que a culpa no
alto índice de reprovação está também no curso de graduação,
cuja grave deficiência permitiu a criação de cursinhos jurídicos,
e o perigo é se provarem que não precisa ser formado em Direito,
basta frequentar o cursinho e ser aprovado no concurso jurídico.
Alías não se vê cursinho para concursos nas carreiras de médicos
e engenheiros. Imagine um cursinho médico onde se ensinassem
as preferências do cirurgião examinador, ou que se reforçassem
conceitos de princípios da engenharia, ou que se ensinasse
o médico a redigir uma receita. Não é isto que vai medir se
é um bom engenheiro ou médico, mas é mais ou menos isto que
será perguntado na prova jurídica.
Na verdade, deficientes não são os candidatos,
e sim, quem está na cúpula dos órgãos jurídicos e não aprimora
o sistema de avaliação, porque quando fez prova, foi assim,
e entende que deve ser assim para sempre.
Das Avaliações
Você é capaz, pode acreditar !! Não desanime
em razão de comentários de "ilustres" autoridades
que dizem ser o despreparo dos candidatos a causa da reprovação.
Os candidatos de hoje estudam muito mais do que antigamente,
há mais livros, internet, computador, correio, televisão e
rádio para trocarem conhecimento e agilizarem os contatos.
O que tem ocorrido é o aumento de faculdades, o que permite
que alguns profissionais menos capazes graduem.
Quando estava prestando concursos, um ministro
do STF dizia que os candidatos estavam despreparados. Mas
um ministro do STF que é indicado pelo Presidente da República,
muitas vezes nunca fez concurso algum, então não é a pessoa
mais recomendada para comentar sobre este assunto. Infelizmente,
em um concurso de poucas horas querem avaliar toda a sua vida
profissional, é um equívoco.
Basta observar que nas provas quase sempre
tem uma denúncia ou uma sentença envolvendo um crime contra
o patrimônio, e enfocando questões complexas que raramente
ocorrerão e, se acontecerem, demandarão meses para serem solucionadas.
E ainda, os examinadores irão avaliar o seu posicionamento
pessoal. Na verdade, quem parou no tempo, foram os examinadores,
pois o Direito evoluiu para os direitos coletivos, mas as
provas raramente acompanharam este desenvolvimento. E em mais
de 90% dos casos reais, denunciar ou condenar por furto e
roubo será simples, pois a prova já foi produzida, restando
apenas questões jurídicas de interpretação (uma questão pessoal).
Afinal, pelo sistema atual a polícia ainda controla o que
irá a julgamento ou não, bastando não instaurar o Inquérito
Policial, salvo raras requisições, onde poderão dizer que
não descobriram a autoria. No cível, resumem-se a questões
patrimoniais particulares ou de família, este segundo assunto,
sem grandes dificuldades práticas, mas na prova exigirão doutrinas
sem muita validade na prática.
Quantas provas de concurso com peças de ação
civil pública, inclusive sentenças ? Quantas provas de concurso
referindo-se a crimes de colarinho branco ? E para instaurar
um Inquérito Civil Público ? Controle Externo da Atividade
Policial ? Sistema de Saúde ? Eleitoral ? Isto na prova prática
!! Onde se exige que o examinador tenha conhecimento e praticado
o assunto para avaliar as respostas. Na verdade, a banca de
examinadores, que conviveu com uma outra fase do Direito,
tenta impor os seus conhecimentos e a sua vivência profissional
aos candidatos.
Oração do
concursando
Senhor,
Ilumine-me para adquirir conhecimento
E trabalhar como instrumento
da Sua vontade e capacidade
Auxilie-me para ser aprovado no concurso
E ajudar o povo a seguir o Seu curso
Fazendo-me humilde, mas jamais submisso
Protegendo-me do tentador comportamento social
omisso
Dê-me sabedoria para que possa descobrir os
caminhos
Ainda que não compreenda os espinhos
Dê-me força para vencer as dificuldades
E servir à comunidade.
Da
modernização da forma de trabalho
No mundo jurídico é comum a pergunta quantas
processos tem na sua Comarca ? E quanto mais processos presume-se
que trabalho mais, mas não é bem assim, na prática. Pois grande
número de processos pode significar pouca produtividade. Então
o correto seria perguntar: Quantos problemas resolveu na sua
Comarca este mês ? Ou no mínimo, Quantos processos foram extintos
? O ideal acreditamos que fixar o número de promotores, juízes
e advogados público pelo número de habitantes, criando-se
o cargo quando se atingisse uma quantidade X. Os problemas
localizados poderiam ser resolvidos com assessoria de bacharéis
em Direito, onde as autoridades delegariam as tarefas jurídicas
menos complexas, inclusive a responsabilidade pelo ato, podendo
assinar o ato pessoalmente, atos meramente ordinatórios (a
grande maioria dos atos processuais), assim não permaneceria
o feito parado por dias aguardando uma assinatura em um despacho
já feito por alguém que não pode assinar.
Acredito que se o juiz e o promotor chegassem
a um consenso sobre os procedimentos mais comuns e fizessem
um organograma da ordem a ser seguida pelas secretarias, estas
poderiam com mais tranquilidade dar os impulsos processuais
sem receios, evitando-se o "pingue-pongue processual".
Do abstrato
O estudo é um trabalho abstrato, e este tipo
de trabalho não é compreendido pela maioria das pessoas, não
se incomode. Mas quem muda alguma coisa é o que faz o trabalho
mais intelectualizado, portanto o estudo deve ser constante
e não apenas para o concurso. Os melhores cargos serão ocupados
por quem pensa e dirige, e não por quem executa e repete atos.
Todos nós sabemos que na área jurídica há muitas exceções
a esta regra, mas é por erro no sistema de avaliação, que
serão minimizados com a evolução tecnológica, onde será mais
fácil mostrar desatualização da idéia, principalmente se for
conseguido o rodízio dos cargos da cúpula de forma democrática.
A evolução das idéias tem que acompanhar a tecnológica, portanto,
os cargos de Tribunal não podem ser ocupados até que se o
membro se aposente, principalmente se acabarem com a compulsória.
Podem até acabar, mas desde que os mesmos sejam ocupados por
eleição interna e sem restringir a alguns pequenos grupos
para se candidatarem como tem sido atualmente, pois torna
meio de controle e impede a oxigenação das idéias.
Mensagem
final
Boa sorte e muita fé !!!!!
Tudo tem o momento certo !!
BASTANTE ESTUDO ...
E não se diminua se for reprovado, afinal
parafraseando Leonardo Boff, a forma atual de concurso permite
que galinhas sejam disfarçadas de águia, e que águias sejam
impedidas de voar por serem induzidas a acreditarem que são
galinhas.
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